NEMATOIDES NO CONTEXTO AGRÍCOLA BRASILEIRO

Os nematoides são vermes microscópicos, geralmente invisíveis a olho nu, que habitam praticamente todos os ambientes do solo. Estão entre os animais mais abundantes e diversos da Terra, ocorrendo em qualquer solo que ofereça uma fonte de carbono orgânico.

 

A partir do hábito alimentar os nematoides são classificados em diferentes grupos, dentre eles temos:

 

  1. Bacteriófagos: Alimentam-se de bactérias – Atuam no equilíbrio da microbiota bacteriana e ciclagem de nutrientes
  2. Micófagos: Alimentam-se de fungos – Equilíbrio da microbiota fúngica e decomposição da matéria orgânica
  3. Predadores / Onívoros: Alimentam-se de microrganismos e outros nematoides – Indicadores de uma boa saúde edáfica, pois são sensíveis a alterações como compactação, fertilizantes e defensivos químicos em excesso, entre outros fatores
  4. Fitoparasitas: Alimentam-se de plantas (raízes) – Causam doenças em plantas e prejuízo econômico

 

Apesar da grande diversidade de nematoides baseado na sua função ecológica, os fitopatogênicos estão entre as principais pragas agrícolas da atualidade, onde no Brasil as principais culturas afetadas são de soja, milho e algodão.

 

O desenvolvimento desses nematoides nas raízes prejudica a absorção de água e nutrientes, resultando em murcha, clorose e redução da produtividade. Além disso, os ferimentos causados nas raízes facilitam a entrada de fungos e bactérias, favorecendo doenças secundárias.

Temos o Meloidogyne spp., mais conhecido por nematoide das galhas, em que o juvenil (J2) penetra na raiz e por substâncias químicas altera o metabolismo celular e estimulam a formação de células gigantes, que causam hipertrofia do tecido radicular e formam-se as galhas. Outro nematoide conhecido é o Pratylenchus spp. que causam lesões na parede da raiz ao se alimentar e deslocar ao longo da raiz, abrindo porta de entrada para fungos e bactérias.

 

A dispersão desses organismos no campo ocorre principalmente por meio de material propagativo contaminado, tráfego de máquinas e implementos, animais, pessoas e água de irrigação ou chuva. Por essa razão o uso de mudas e sementes certificadas é uma medida preventiva fundamental.

Outra forma de persistência dos nematoides no solo é pelas plantas daninhas e de cobertura, onde muitas funcionam como hospedeiro alternativo, sustentando populações de nematoides entre safras e dificultando o controle.

O controle de nematoides fitopatogênicos foi, por muito tempo, baseado quase exclusivamente em produtos químicos. No entanto, os nematicidas químicos têm sido evitados devido à alta toxicidade, ao risco de contaminação ambiental e o alto custo.

Nesse cenário, o manejo integrado, combinando rotação de culturas, uso de variedades resistentes, manejo do solo e controle biológico, tem ganhado espaço como estratégia mais sustentável. O controle biológico, em especial, é uma das frentes de maior interesse para a microbiologia agrícola, com vantagens como facilidade de aplicação, ausência de risco ao aplicador e especificidade ao organismo-alvo.

Como exemplo temos o Trichoderma spp., um fungo que produz metabólitos tóxicos aos nematoides e parasita os ovos, fechando o ciclo de vida da praga. Também o Bacillus amyloliquefaciens forma um biofilme em volta da raiz, criando uma barreira física entre o nematoide e a planta, também compete por espaço e nutriente e produzem enzimas como proteases e quitinases, que degradam a cutícula e ovos dos nematoides.

A diversidade de mecanismos de ação observada entre os agentes de controle biológico constitui um fator relevante para reduzir a probabilidade de seleção de populações resistentes de nematoides, uma vez que a atuação simultânea em múltiplas frentes, como parasitismo de ovos, predação de formas vermiformes e produção de metabólitos tóxicos aos nematoides dificulta a adaptação do patógeno a um único modo de ação e contribui para limitar sua disseminação no solo.

Portanto, a pesquisa científica foi determinante para compreender melhor o papel biológico dos nematoides benéficos e desenvolver formas de controle dos fitopatogênicos, à medida que surgiram novas ferramentas de identificação, formulação de agentes de biocontrole e controles de disseminação, então o incentivo a pesquisa é crucial para continuar progredindo na busca de uma agricultura cada vez mais sustentável.

Referências:

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