PACES – Projetando Agricultura Compromissada em Sustentabilidade
Autores: Isabely Leite e Leandro Biro
Reguladores de crescimento, também conhecidos como fitorreguladores, são substâncias de origem sintética ou natural aplicadas em plantas com função de gerar efeitos semelhantes aos hormônios próprios do vegetal. Cada um desses compostos possui diversos papéis fisiológicos, agindo como mensageiros, isto é, sinalizando estímulos de um local para um receptor, o que provoca respostas variadas (Fagan et al., 2015). Assim, o grupo PACES (Projetando Agricultura Compromissada em Sustentabilidade) traz, na presente revisão, uma explicação breve a respeito dos principais hormônios vegetais, apresentando também alguns produtos à base de reguladores de crescimento de utilidade comprovada e sua aplicação na cultura da soja (Glycine max).
Inicialmente, cumpre assinalar as funções fisiológicas mais importantes dos principais hormônios vegetais segundo explicam Taiz et al. (2017):
- as auxinas atuam como coordenadoras do alongamento celular e da dominância apical;
- as giberelinas, como promotoras da germinação e expansão dos entrenós;
- as citocininas possuem papel de indutoras da divisão celular e retardadoras da senescência;
- o ácido abscísico (ABA) age como mediador de respostas a estresse e regulador da dormência;
- o etileno, por sua vez, é um maturador e indutor de senescência, atuando contra o crescimento vegetativo.
Com essas informações básicas, pode-se tratar de algumas aplicações de reguladores de crescimento, como a manipulação da arquitetura da planta para otimizar o rendimento e mitigar o acamamento. Ensaios demonstram que a aplicação exógena de citocininas, como a 6-benziladenina no produto Maxcel, nos estádios vegetativos V2 e V3 é capaz de quebrar a dominância apical exercida pelas auxinas. Esse processo resulta em plantas de porte mais baixo e com maior emissão de ramos laterais, aumentando o número de nós produtivos e a eficiência na interceptação luminosa. Em contrapartida, experiências com giberelinas revelam que seu excesso pode causar o alongamento indesejado dos entrenós, tornando a cultura vulnerável ao tombamento (Campos; Ono; Rodrigues, 2009).
Quanto ao desenvolvimento radicular, ensaios com bioestimulantes como o Stimulate, que combina cinetina (citocinina), ácido giberélico e ácido indolbutírico (auxina) evidenciam incrementos significativos no volume de raízes, garantindo um melhor estabelecimento da cultura sob condições de estresse. Na fase reprodutiva (R1/R2), testou-se o uso de reguladores para reduzir o abortamento de flores e vagens, um dos principais limitantes da produtividade. O uso de inibidores de etileno e o reforço de citocininas nesse período mostram-se eficazes na fixação de estruturas reprodutivas (Rezende, 2022).
Também se estudaram produtos como o Ethrel e o Stopping go, cujos resultados experimentais auxiliam na gestão da partição de fotoassimilados, direcionando a energia da planta para o enchimento de grãos (Tabela 1) (Menezes, 2023).
Tabela 1 – Efeitos sobre a produtividade e PMG no uso de diferentes reguladores

Fonte: Menezes (2023).
É importante frisar que a eficácia destas intervenções depende estritamente do equilíbrio hormonal e do momento fenológico da aplicação. Esta exige reguladores de crescimento e transforma-se, assim, em uma ferramenta de engenharia biológica, permitindo gerar uma planta morfologicamente eficiente, resistente ao acamamento e com potencial produtivo maximizado frente às adversidades do ambiente produtivo contemporâneo (Fagan et al., 2020).
REFERÊNCIAS
CAMPOS, M. F.; ONO, E. O.; RODRIGUES, J. D. Desenvolvimento da parte aérea de plantas de soja em função de reguladores vegetais. Ceres, v. 56, n. 1, p. 74-79, 2009.
FAGAN, E.B.; ONO, E.O.; RODRIGUES, J.D.; CHALFUN JÚNIOR, A.; DOURADO NETO, D. Fisiologia Vegetal: Reguladores Vegetais. Piracicaba: Andrei, 2015. 300p.
FAGAN, E.B.; RODRIGUES, J.D.; ONO, E.O.; TEIXEIRA, W.F.; DOURADO NETO, D. Fisiologia da produção de soja. São Paulo: Andrei, 2020, 247p.
MENEZES, M. USO de MATURADORES PARA a ANTECIPAÇÃO DA COLHEITA DA SOJA. 12 Jan. 2023, repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/a40efb4e-82e6-4388-ae07-b9ea8d341561/content. Acesso em: 20 mar. 2026.
REZENDE, M. M. FORMAS DE APLICAÇÃO E DOSES DE STIMULATE® NA CULTURA DA MANDIOCA DE MESA. 2022. 38 f. Tese (Doutorado) – Curso de Ciências Agrárias e Tecnológicas, Unesp, Dracena, 2022
TAIZ, L.; ZEIGER, E.; MOLLER, I. M.; MURPHY, A. Fisiologia e Desenvolvimento Vegetal. 6 ed. Porto Alegre: Artmed, 2017, p. 417-419.

